Papa Leão celebra missa na igreja mais alta do mundo em Barcelona

A cidade de Barcelona viveu nesta quarta-feira, 10 de junho, um dos momentos mais marcantes de sua história religiosa recente com a visita do papa Leão XIV à Basílica da Sagrada Família. O Santo Padre presidiu uma solene missa no templo projetado por Antoni Gaudí e inaugurou oficialmente a nova Torre de Jesus Cristo, concluindo a principal estrutura vertical da basílica no ano em que se celebra o centenário da morte do célebre arquiteto catalão.

A celebração reuniu milhares de fiéis nas imediações do templo, além de autoridades civis, religiosas e membros da família real espanhola. A inauguração da torre representa um marco histórico para a Sagrada Família, que passa a ostentar a condição de igreja mais alta do mundo, com 172,5 metros de altura. A nova estrutura, coroada por uma grande cruz iluminada, foi abençoada pelo pontífice durante a cerimônia.

A agenda do papa em Barcelona incluiu ainda compromissos pastorais ao longo do dia, entre eles uma visita ao Centro Penitenciário Brians 1, um momento de oração no Mosteiro de Montserrat e encontros com entidades de caridade da arquidiocese local. O ponto alto, porém, foi a celebração eucarística na Sagrada Família, seguida da inauguração da torre central dedicada a Cristo.

Considerada a obra-prima de Antoni Gaudí, a Basílica da Sagrada Família começou a ser construída em 1882 e permanece como um dos mais importantes símbolos da fé católica e da arquitetura cristã contemporânea. Gaudí dedicou mais de quatro décadas de sua vida ao projeto e concebeu o templo como uma verdadeira catequese em pedra, repleta de simbolismos bíblicos e referências à criação divina.

A arquitetura da basílica é única no mundo. Suas colunas internas lembram árvores que se ramificam em direção ao teto, criando a impressão de uma floresta de pedra iluminada por vitrais coloridos. As fachadas retratam episódios centrais da vida de Cristo — o Nascimento, a Paixão e a futura Glória — enquanto a recém-inaugurada Torre de Jesus Cristo se ergue sobre o altar principal como o elemento culminante da visão espiritual de Gaudí.

Privilégio do branco

Entre as personalidades presentes na celebração esteve a rainha Letícia, que chamou a atenção pela elegância ao trajar um vestido branco para o encontro com o Santo Padre. A escolha da cor não foi casual. Como integrante da família real espanhola, ela possui o chamado “privilégio do branco”, uma distinção concedida pela Santa Sé a determinadas rainhas e princesas católicas. Tradicionalmente, as mulheres devem vestir preto nas audiências e cerimônias formais com o papa, mas algumas integrantes de casas reais católicas recebem a autorização especial para usar branco, em reconhecimento à histórica fidelidade de suas monarquias à Igreja Católica.

 

Atualmente, o Vaticano permite que apenas sete soberanas e princesas católicas usem roupas brancas em encontros com o Papa:

Rainha Letícia da Espanha
Rainha Sofia da Espanha
Rainha Mathilde da Bélgica
Rainha Paola da Bélgica
Princesa Charlene de Mônaco
Duquesa Maria Teresa de Luxemburgo
Marina, Princesa de Nápoles

O uso do branco representa pureza, paz e lealdade à Santa Sé, sendo uma honra concedida a essas casas reais por serviços prestados à Igreja Católica ao longo da história. O privilégio não é automático e fica a critério do Papa.