Direita amplia força no Congresso e Flávio Bolsonaro supera Lula no primeiro turno

O primeiro turno das eleições de 2026 terminou com um avanço expressivo da direita brasileira em diferentes frentes. Além de Flávio Bolsonaro (PL) ter terminado a disputa presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PL conquistou as maiores bancadas da Câmara e do Senado e ampliou significativamente sua presença nos governos estaduais. Levantamento aponta que 59% dos deputados federais eleitos estão no campo da direita, contra 24% da esquerda e 17% do centro.

Na corrida pelo Palácio do Planalto, Flávio recebeu cerca de 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve aproximadamente 53,9 milhões, ou 45,16%. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos. Os dois voltarão a se enfrentar no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

O resultado também representou um crescimento em relação ao desempenho obtido por Jair Bolsonaro em 2022. Flávio recebeu cerca de 5 milhões de votos a mais do que o pai havia conseguido no primeiro turno daquela eleição. Lula, por sua vez, perdeu aproximadamente 3,4 milhões de votos na comparação com 2022 e registrou seu menor percentual de votos válidos em um primeiro turno desde 1998.

PL conquista a maior bancada da Câmara

O avanço da direita ficou ainda mais evidente na eleição para a Câmara dos Deputados. O PL elegeu 121 deputados federais, 24 a mais do que havia conquistado nas eleições de 2022, e terá, com ampla vantagem, a maior bancada da Casa a partir de fevereiro de 2027. A federação formada por PT, PCdoB e PV ficou em segundo lugar, com 88 cadeiras.

Considerando os diferentes partidos, a nova Câmara terá 59% de deputados classificados pela Folha como de direita, ante 24% de esquerda e 17% de centro. O resultado consolida um Congresso significativamente mais inclinado à direita e dá ao PL uma posição central nas negociações legislativas da próxima legislatura.

Direita também avança no Senado

No Senado, o crescimento do PL foi igualmente expressivo. Das 54 cadeiras colocadas em disputa neste ano, o partido conquistou 19. Somadas aos nove senadores do PL cujos mandatos continuam, a legenda deverá começar 2027 com 28 das 81 cadeiras do Senado, tornando-se também a maior bancada da Casa.

Entre os nomes eleitos estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, pelo Distrito Federal; Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, por Santa Catarina; Carlos Portinho e Carlos Jordy, pelo Rio de Janeiro; além de nomes como Gustavo Gayer, André do Prado, Guilherme Derrite, Filipe Barros e Márcio Bittar.

Somente PL e Novo deverão reunir 31 senadores, segundo levantamento da CNN Brasil. A esse grupo somam-se parlamentares de outros partidos identificados com a direita, aumentando seu peso político no Senado e alterando a correlação de forças da Casa para a próxima legislatura.

Direita amplia espaço nos governos estaduais

O desempenho também se repetiu nas disputas pelos governos. Dos 20 estados que decidiram a eleição já no primeiro turno, o PL foi o partido que elegeu o maior número de governadores: cinco. A legenda venceu no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Roraima. Republicanos, por sua vez, conquistou Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo.

Um dos resultados de maior destaque ocorreu em São Paulo, onde Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito com 62,65% dos votos válidos. No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) alcançou 49,3%, mas a disputa pode terminar no primeiro turno, com a anulação dos votos dados a Anthony Garotinho, o que eleva o percentual do candidato apoiado por Flávio para mais de 50% dos votos válidos.