Parlamento rejeita suicídio assistido no Reino Unido

A Câmara dos Comuns do Reino Unido rejeitou, na sexta-feira, 11 de setembro, um projeto de lei que pretendia legalizar o suicídio assistido para pacientes em fase terminal na Inglaterra e no País de Gales. Após cerca de quatro horas de debate, 286 deputados votaram contra a proposta e 270 a favor, uma diferença de 16 votos. Com a derrota já na segunda leitura, o projeto não seguirá adiante no atual processo legislativo.
Chamado Terminally Ill Adults (End of Life) Bill — Projeto de Lei sobre Adultos em Fase Terminal (Fim da Vida), em tradução livre —, o texto havia sido apresentado pela deputada trabalhista Lauren Edwards em 17 de junho de 2026. A proposta permitiria que adultos considerados mentalmente capazes e diagnosticados com doença terminal, com expectativa de vida de até seis meses, solicitassem assistência para morrer. O procedimento dependeria, entre outras exigências, da avaliação de médicos e de um painel de especialistas. A substância destinada a provocar a morte teria de ser administrada pelo próprio paciente.
A votação encerra, por enquanto, uma longa tentativa de alterar a legislação britânica sobre o tema. Uma versão anterior do projeto, apresentada pela também trabalhista Kim Leadbeater, havia sido aprovada pela Câmara dos Comuns em 20 de junho de 2025 e encaminhada à Câmara dos Lordes três dias depois. O texto, porém, não conseguiu concluir todas as etapas de tramitação na Câmara Alta antes do encerramento da sessão parlamentar de 2024-2026 e, por isso, deixou de tramitar. Edwards decidiu então reapresentar a proposta na nova sessão legislativa.
A nova tentativa terminou de maneira diferente. Desta vez, a proposta foi barrada pelos próprios deputados antes de chegar novamente à Câmara dos Lordes. O resultado mantém inalterada a proibição do suicídio assistido na Inglaterra e no País de Gales. O governo britânico havia adotado posição de neutralidade sobre a questão, deixando que os parlamentares votassem de acordo com suas convicções pessoais.
A Igreja Católica na Inglaterra e no País de Gales participou ativamente da mobilização contrária à mudança na lei. Antes da votação, o arcebispo de Westminster, Richard Moth, presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e do País de Gales, pediu aos católicos que procurassem seus representantes no Parlamento para manifestar oposição ao projeto. Segundo o arcebispo, além de ser errado em princípio, o texto apresentava falhas que poderiam fazer com que pessoas vulneráveis se sentissem pressionadas a pôr fim à própria vida.
Após a derrota da proposta, o arcebispo de Liverpool, John Sherrington, saudou o resultado e destacou a necessidade de oferecer cuidado e proteção às pessoas que enfrentam doenças graves, deficiências e os desafios associados à velhice. Durante o debate sobre a legislação, os bispos britânicos defenderam reiteradamente o fortalecimento dos cuidados paliativos como resposta ao sofrimento no fim da vida.

