Flávio Bolsonaro fala dos principais desafios do país em evento da Veja

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, participou nesta segunda-feira, 15 de junho, do VEJA Fórum Rumos do Brasil, realizado em São Paulo. Durante a entrevista, conduzida pelo CEO da Editora Abril, Maurício Lima, o parlamentar respondeu a perguntas sobre economia, segurança pública, política externa, eleições de 2026 e os principais desafios do país.

Confira a seguir os principais temas abordados e as respostas dadas pelo senador durante o evento.

Relação com Daniel Vorcaro

Flávio Bolsonaro afirmou que sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro foi privada, única e exclusivamente em razão do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, onde a empresa teria o retorno do seu investimento em virtude do sucesso do filme. Ele destacou que a produção é necessária para resgatar a imagem e a humanidade do ex-presidente, que foi alvo de um processo de desumanização ao longo dos anos.

Sobre ele ser reponsável por possíveis tarifas pelos Estados Unidos

Ao comentar as acusações de que teria atuado para prejudicar o Brasil durante sua viagem aos Estados Unidos, Flávio classificou a narrativa como falsa. Segundo ele, sua ida ao país teve como objetivo pedir que o Comando Vermelho e o PCC fossem classificados como organizações terroristas.

O senador afirmou ainda que pediu expressamente que não fossem impostas tarifas ao Brasil, tanto em reuniões presenciais quanto em uma carta enviada ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Na avaliação de Flávio, o único interessado em um eventual tarifaço seria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por acreditar que isso poderia lhe render dividendos políticos.

Escolha do vice

Questionado sobre a escolha do candidato a vice-presidente, Flávio afirmou que a definição fará parte das conversas que serão conduzidas com outros partidos durante a construção da chapa.

Antecipação do nome do ministro da Economia

Segundo ele, durante a campanha de Jair Bolsonaro houve a necessidade de apresentar previamente esse nome para que houvesse clareza sobre os rumos da economia, o que não é necessário agora.

Flávio afirmou que Lula fez o contrário, escondeu o Haddad pois já se sabia que não se elegeria com esse nome. “Acho que o Haddad vai acabar votando em mim, porque a bomba fiscal que ele está deixando para o próximo governo vai precisar de um time de estrelas para ser desarmada. Só acredito que ele calculou errado e essa bomba vai explodir este ano”, disse o senador.

Ele citou o avanço da inflação e a perda do poder de compra da população.

Como desarmar a bomba fiscal

Para enfrentar o problema fiscal, Flávio defendeu a realização de reformas estruturantes e o enxugamento das despesas públicas, começando pela redução do número de ministérios.

O senador afirmou que não pretende aumentar a carga tributária e criticou a criação de novos impostos. Segundo ele, isso afasta investimentos e contribui para a manutenção de juros elevados.

Entre as medidas propostas, citou a criação de gatilhos automáticos para cortes de despesas, a redução da insegurança jurídica e um choque de gestão na administração pública. Também defendeu o uso de inteligência artificial para identificar desperdícios e melhorar a eficiência do gasto público.

Daniella Marques

Questionado sobre a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, Flávio destacou sua atuação na área de mobilidade social.

Segundo o senador, ela demonstrou que a tecnologia pode ampliar oportunidades para pessoas que desejam empreender e construir o próprio negócio. Entre os pontos destacados por ele estão a expansão do microcrédito, a educação financeira e a desburocratização.

Isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil

Trata-se de uma promessa de campanha de Jair Bolsonaro que Flávio é a favor.

A diferença, segundo o senador, é que com Bolsonaro haveria uma compensação por abrir mão dessa receita. Dessa forma, o governo teria de onde tirar esse recurso sem precisar aumentar impostos. O atual governo faz o contrário, o que acaba penalizando os mais pobres.

Endividamento da população

Segundo o senador, o governo Lula regulamentou as bets para deixar o povo ainda mais endividado. “O governo enrolou a população em dívidas, foi preciso fazer um segundo desenrola em 3 anos. Somando tudo, são mais de R$ 500 bilhões em divídas, ele faz um desenrola de R$ 4,5 bilhões, não vai dar para nada, as pessoas vão ficar mais enroladas ainda”, afirmou.

O senador defendeu o equilíbrio fiscal e a redução da taxa de juros. “O povo brasileiro está parcelando arroz e feijão no cartão de crédito. Esse é o legado que o Lula está entregando”, disse.

Privatização dos Correios e Petrobras

Flávio declarou ser favorável à privatização dos Correios. Segundo ele, corrupção e incompetência teriam prejudicado uma empresa pública que detém monopólio em parte de suas atividades.

Sobre a Petrobras, afirmou ser contrário à privatização integral da companhia, mas defendeu modelos de parceria com a iniciativa privada e a redução da participação acionária do governo em determinadas áreas.

Bolsa Família

O senador afirmou que o Bolsa Família tornou-se um direito adquirido da população e declarou que ninguém tem o direito de acabar com o programa.

Segundo Flávio, o governo Bolsonaro foi responsável por triplicar o valor do benefício. Ele defendeu a retomada de um mecanismo que permita ao beneficiário continuar recebendo o auxílio por um período mesmo após conseguir emprego formal ou abrir uma empresa, evitando que o medo de perder o benefício estimule a informalidade.

Segurança pública

Para o senador, o primeiro passo o Congresso Nacional conseguiu dar agora, com a aprovação do Projeto de Lei Antifacção, que aumenta as penas para marginais perigosos e coloca novos critérios para a audiência de custódia deixar de ser porta-giratória de bandidos, uma vez que agora passa-se a considerar a habitualidade criminosa como parâmetro para a não soltura.

Além dessas alterações legais, o senador defendeu a criação de pelo menos 500 mil novas vagas no sistema prisional, o endurecimento das condições de encarceramento para faccionados, aumentando o tempo de prisão deles e mantendo-os incomunicáveis e o tratamento de integrantes do Comando Vermelho e do PCC como terroristas.

Segundo ele, o objetivo é libertar a população do domínio de narcotraficantes e milicianos.

Primeiros atos de governo

O senador pretende aprovar, ainda no período de transição, a PEC de sua autoria que coloca fim à reeleição para presidente da República no Brasil.

Outras medidas citadas foram o tesouraço para reduzir os gastos públicos e a suspensão por um ano da reforma tributária. A ideia é substituir por uma reforma que realmente simplifique o aparato de tributos no Brasil sem o aumento da carga tributária.