Quase metade dos brasileiros desconfiam de informações vindas do jornalismo profissional

Uma pesquisa recente sobre hábitos de consumo de informação no Brasil indica que a desconfiança em veículos de imprensa profissional supera a registrada em conteúdos compartilhados por contatos pessoais nas redes digitais.
Levantamento do Comitê Gestor da Internet, por meio do NIC.br e do Cetic.br, mostra que 48% dos usuários de internet no país dizem desconfiar sempre ou na maioria das vezes de notícias veiculadas por meios de comunicação tradicionais. O índice é superior ao observado em relação a conteúdos publicados por amigos ou familiares em redes sociais (39%) e em aplicativos de mensagens (42%).
Os dados integram o painel TIC – Integridade da Informação, divulgado em abril de 2026, com base em entrevistas realizadas com 5.250 usuários de internet com 16 anos ou mais, entre agosto e setembro de 2025.
O estudo também aponta mudanças nos hábitos de consumo de notícias. Aplicativos de mensagens lideram como principal meio de acesso frequente à informação, com 60% dos entrevistados afirmando utilizá-los ao menos uma vez por dia ou várias vezes ao dia. Em seguida aparecem os feeds de vídeos curtos, como TikTok, com 52%, e os sites ou aplicativos de vídeo, com 50%.
A pesquisa revela ainda dificuldades na verificação de conteúdos online. Entre os usuários que afirmam não checar a veracidade das informações, 34% dizem concordar que “não vale a pena pesquisar” se o conteúdo é verdadeiro, enquanto 30% atribuem essa postura ao alto grau de polarização das informações.
Entre os principais motivos para a falta de checagem estão o esquecimento (36%), a falta de tempo (33%) e o desinteresse (33%). Também há parcela relevante que afirma confiar previamente no conteúdo recebido, seja por considerá-lo verdadeiro (31%) ou falso (25%).
O levantamento indica um cenário de crescente dependência de canais digitais para informação, combinado a níveis elevados de desconfiança e baixa verificação de conteúdo, fatores que, segundo o próprio estudo, podem impactar a circulação de informações no ambiente online.

