América Latina vive ciclo eleitoral decisivo em 2026 com disputas entre direita e esquerda

O ano de 2026 está sendo marcado por importantes eleições presidenciais na América Latina. Em vários países da região, o eleitorado tem sido chamado às urnas para decidir entre projetos políticos de direita, centro-direita, esquerda e, em alguns casos, correntes mais radicais. O resultado dessas disputas poderá influenciar os rumos econômicos, sociais e diplomáticos do continente pelos próximos anos.

Na Costa Rica, a eleição já foi definida. A cientista política Laura Fernández, candidata do governista Partido Soberano do Povo, venceu ainda no primeiro turno com cerca de 48,5% dos votos. Fernández é identificada como uma liderança de direita e deu continuidade ao projeto político do presidente Rodrigo Chaves, defendendo uma agenda de segurança pública, reformas institucionais e redução da influência dos partidos tradicionais.

Na Colômbia, a disputa permanece aberta e deverá ser decidida em segundo turno no próximo dia 21 de junho. O confronto opõe dois projetos claramente distintos. De um lado está Abelardo de la Espriella, advogado e empresário identificado com a direita e frequentemente descrito por veículos internacionais como conservador ou de direita dura. Sua campanha tem como principal bandeira o combate ao crime organizado, com propostas inspiradas no modelo de segurança adotado em El Salvador. Do outro lado está o senador Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro e representante da esquerda colombiana. Cepeda defende a continuidade das reformas sociais iniciadas pelo atual governo e a manutenção dos processos de negociação com grupos armados. No primeiro turno, De la Espriella recebeu 43,7% dos votos contra aproximadamente 41% de Cepeda.

O Peru já realizou o primeiro turno das eleições presidenciais em abril de 2026. Em uma disputa extremamente fragmentada, com dezenas de candidatos, a líder conservadora Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, terminou em primeiro lugar com cerca de 17% dos votos. Ela enfrentará no segundo turno, marcado para 7 de junho, o congressista Roberto Sánchez, político identificado com a esquerda e apoiado por setores ligados ao ex-presidente Pedro Castillo.

O candidato mais identificado com a direita conservadora e o eleitorado católico tradicional, Rafael López Aliaga, acabou ficando de fora do segundo turno por uma margem muito pequena. Ele terminou em terceiro lugar com cerca de 11,9% dos votos, atrás de Roberto Sánchez (esquerda), que obteve aproximadamente 12,0%. A diferença foi de pouco mais de 20 mil votos em um universo de milhões de eleitores.

No Brasil, a eleição presidencial de outubro de 2026 tende a ser uma das disputas mais polarizadas da história recente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal liderança da esquerda brasileira, deverá buscar a continuidade de seu projeto político após um mandato marcado pelo mau desempenho da economia, o aumento dos gastos públicos e controvérsias envolvendo corrupção e políticas regulatórias de sua administração.

No campo da oposição, o senador Flávio Bolsonaro desponta como um dos principais nomes da direita e do eleitorado conservador. Herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio tem buscado capitalizar o apoio da base bolsonarista e o descontentamento de setores da população com o governo federal. Pesquisas divulgadas ao longo de 2026 mostram o senador em posição competitiva e em muitos casos à frente de Lula nas intenções de voto.

O Haiti pretende realizar sua primeira eleição presidencial em cerca de uma década, mas o processo continua cercado de incertezas. O calendário elaborado pelo Conselho Eleitoral Provisório previa o primeiro turno para 30 de agosto de 2026, porém o próprio primeiro-ministro, Alix Didier Fils-Aimé, declarou recentemente que as condições de segurança do país ainda não permitem a realização do pleito na data inicialmente planejada. A expectativa do governo é que a votação ocorra até o final do ano, caso a situação seja estabilizada.