Arquidioceses do Rio e de Volta Redonda orientam fiéis sobre situação da FSSPX após declaração de cisma

As arquidioceses de São Sebastião do Rio de Janeiro e de Barra do Piraí–Volta Redonda divulgaram notas oficiais orientando os fiéis sobre a situação canônica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), após a Santa Sé declarar que as consagrações episcopais realizadas sem mandato pontifício em 1º de julho configuraram um ato cismático. As manifestações seguem a posição do Vaticano e reforçam a necessidade de permanência da comunhão com o papa Leão XIV, ao mesmo tempo em que asseguram assistência pastoral aos fiéis ligados à liturgia tradicional celebrada em plena comunhão com a Igreja.

Na arquidiocese do Rio de Janeiro, a nota abre recordando o lema episcopal de Leão XIV, “Em Cristo somos um”, afirmando que ele ganha especial significado diante dos acontecimentos que “ferem a comunhão eclesial”. O texto lembra que, apesar das repetidas advertências da Santa Sé e dos apelos do papa pela unidade, quatro membros da FSSPX foram consagrados bispos sem autorização pontifícia, levando o Dicastério para a Doutrina da Fé a declarar as consequências canônicas do ato em decreto publicado em 2 de julho.

A arquidiocese explica que o Código de Direito Canônico define o cisma como a recusa da sujeição ao Romano Pontífice ou da comunhão com aqueles que lhe estão sujeitos. Também destaca que a FSSPX justificou as ordenações alegando um estado de necessidade para preservar a celebração do rito romano anterior à reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, mas afirma que essa motivação não pode servir de justificativa para a ruptura, lembrando que existem comunidades ligadas à missa tradicional que permanecem em plena comunhão com a Igreja.

A nota carioca ressalta ainda que os fiéis que apreciam a forma antiga do rito romano encontram acolhida pastoral na arquidiocese por meio de celebrações legitimamente autorizadas. Em seguida, faz uma exortação para que leigos, religiosos e clérigos permaneçam unidos ao papa e aos bispos em comunhão com ele, recomendando que se abstenham de participar de encontros e celebrações promovidos pela FSSPX ou por grupos ligados à fraternidade.

Outro ponto enfatizado pela Arquidiocese do Rio é a situação sacramental da fraternidade após a declaração de cisma. Segundo o documento, os ministros da FSSPX administram os sacramentos de forma ilícita e, especificamente, as confissões e os matrimônios celebrados por eles são considerados inválidos, conforme nota explicativa do Dicastério para a Doutrina da Fé. A arquidiocese conclui dirigindo um apelo aos membros da fraternidade para que retornem à plena comunhão com a Igreja, informa que os fiéis interessados em regularizar sua situação podem procurar suas paróquias ou a Cúria Metropolitana e conclama todos os católicos a rezarem pela unidade da Igreja.

Na Diocese de Barra do Piraí–Volta Redonda, o bispo diocesano, dom Luiz Henrique da Silva Brito, também fundamenta sua mensagem na necessidade de preservar a unidade da Igreja. A nota afirma que as ordenações episcopais promovidas pela FSSPX consumaram “um cisma aberto na Igreja” e recorda que uma consagração episcopal somente pode ocorrer mediante mandato pontifício. Segundo o texto, na ausência dessa autorização incorrem em excomunhão tanto os bispos consagrantes quanto os consagrados, podendo também ser atingidos aqueles que aderirem formalmente ao cisma. O bispo ressalta, porém, que a excomunhão possui caráter medicinal, tendo como finalidade conduzir à conversão dos envolvidos.

Ao mesmo tempo, dom Luiz Henrique procura tranquilizar os fiéis ligados à liturgia tradicional. A nota esclarece que, na diocese, eles podem continuar recebendo assistência espiritual e sacramental sem romper a comunhão eclesial. Para isso, são indicados três locais autorizados para a celebração da missa segundo o Missal de 1962: a Capelania Pessoal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Volta Redonda; a Igreja de São José Operário, em Barra Mansa; e a Capela de São Sebastião, em Bulhões, Resende. Segundo o bispo, nesses locais o atendimento é prestado por sacerdotes da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, que permanecem em plena comunhão com a Santa Sé, sendo os únicos autorizados a celebrar a forma antiga do rito romano na diocese.

A nota termina convidando os fiéis a rezarem por aqueles que se encontram ligados ao cisma, para que reconheçam o erro cometido e retornem ao caminho da plena comunhão com a Igreja.

As manifestações das dioceses brasileiras acompanham iniciativas semelhantes adotadas em outros países. Nos Estados Unidos, diversos bispos passaram a orientar os fiéis a não participarem das celebrações promovidas pela FSSPX, ao mesmo tempo em que convidam sacerdotes e leigos ligados à fraternidade a regressarem à plena comunhão. Em várias dioceses norte-americanas, os bispos também destacaram que a missa tradicional em latim continua sendo oferecida em locais autorizados pela Igreja, justamente para acolher os fiéis que desejam permanecer unidos ao sucessor de Pedro.