Banco Mundial elogia Argentina e aponta Brasil como fator central para baixo crescimento da América Latina

O Banco Mundial divulgou em 8 de abril de 2026 o relatório Panorama Econômico da América Latina e o Caribe – Revisitando a política industrial: opções estratégicas para a atualidade, no qual apresenta um diagnóstico de baixo crescimento na América Latina e Caribe, com destaque para o papel do Brasil no desempenho regional e para a melhora recente da Argentina.

Segundo o documento, a região deve crescer 2,1% em 2026, abaixo dos 2,4% registrados em 2025, mantendo-se entre as economias menos dinâmicas do mundo. O cenário é explicado por custos elevados de financiamento, incerteza global, inflação e demanda externa fraca, fatores que continuam limitando o investimento e a geração de empregos .

O texto aponta que a América Latina permanece presa a um padrão de baixo crescimento estrutural, no qual o consumo sustenta a atividade, mas o investimento segue reprimido. O próprio Banco Mundial afirma que o principal entrave é o investimento, ainda contido diante da falta de previsibilidade econômica .

Nesse contexto, o Brasil aparece como um dos principais fatores que explicam o desempenho fraco da região. De acordo com a análise, o país enfrenta perda de dinamismo, juros elevados e crédito restrito, o que reduz a capacidade de expansão da economia e impacta diretamente o resultado latino-americano, dado o seu peso econômico . As projeções indicam crescimento modesto, em torno de 1,6% a 2,2% em 2026, refletindo condições financeiras apertadas, espaço fiscal limitado e incertezas em políticas econômicas .

Em contraste, a Argentina é destacada como a principal “exceção positiva” da região. O país tem apresentado melhora nas expectativas econômicas, associada a processos de estabilização e reformas, o que tem contribuído para condições financeiras mais favoráveis e atração de investimentos .

Apesar do desempenho fraco, o Banco Mundial entende que a América Latina possui potencial relevante, como grandes reservas de minerais estratégicos e matriz energética limpa. No entanto, afirma que esse potencial depende de reformas estruturais, aumento da produtividade e fortalecimento institucional, além de políticas industriais mais bem estruturadas .

O diagnóstico central do relatório é que, sem avanços nessas áreas, a região — e especialmente economias como o Brasil — tende a permanecer em um ciclo prolongado de crescimento limitado, com impacto direto sobre renda e desenvolvimento.