Documentario Nós, que compara Brasil atual a regimes totalitarios, estreia em julho

O documentário “Nós” será apresentado ao público nesta quarta-feira (15), em um pré-lançamento no Cine Brasília. Dirigido pelo jornalista e produtor Gustavo Chaves Lopes, o longa propõe uma reflexão sobre os mecanismos utilizados por regimes totalitários do século XX e estabelece paralelos com o cenário político contemporâneo brasileiro, tendo como eixo central a defesa das liberdades individuais.
Gravado em cinco países da Europa, o documentário percorre locais marcados pela história do comunismo e de outros regimes autoritários, como os Museus do Comunismo de Praga e Varsóvia, o Memento Park, em Budapeste, a Casa do Terror, na Hungria, e o museu da antiga polícia secreta da Alemanha Oriental, a Stasi. A produção reúne depoimentos de ex-presos políticos, intelectuais e ativistas que viveram sob governos comunistas, entre eles o escritor Siegmar Faust, preso por mais de cinco anos na Alemanha Oriental por causa de seus poemas, além da ativista Vera Lengsfeld e da deputada alemã Beatrix von Storch.
Segundo o diretor, a proposta do filme não é citar diretamente autoridades brasileiras nem reconstituir episódios específicos da política nacional. A narrativa busca apresentar experiências históricas vividas em países europeus para que o próprio espectador estabeleça as conexões com o Brasil atual. Entre os temas abordados estão censura, perseguição política, centralização do poder, engenharia social, controle da linguagem e restrição gradual das liberdades civis.
O título “Nós” faz referência ao romance distópico homônimo do escritor russo Ievguêni Zamiátin, obra que influenciou clássicos como 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. De acordo com Lopes, a escolha remete à supressão da individualidade característica dos regimes totalitários, nos quais o indivíduo é absorvido pela coletividade.
O documentário foi produzido sem recorrer a recursos da Lei Rouanet. Conforme o diretor, a decisão teve como objetivo evitar questionamentos sobre sua passagem pela Secretaria Nacional do Audiovisual durante o governo Bolsonaro. O projeto recebeu recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas pelos deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Mário Frias (PL-SP) e Marcos Pollon (PL-MS).
Após a sessão de estreia em Brasília, a equipe pretende promover novas exibições em São Paulo e, posteriormente, em Porto Alegre. Os produtores também estudam disponibilizar o documentário em uma plataforma de streaming e inscrevê-lo em festivais de cinema nacionais e internacionais.

