O bom-senso está de volta ao Comitê Olímpico Internacional

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou uma nova política que restringe a participação de atletas transgênero em competições femininas dos Jogos Olímpicos. A medida estabelece que apenas esportistas biologicamente do sexo feminino poderão disputar provas nessa categoria.
O anúncio foi feito no final de março pelo COI, após um processo de um ano e meio de revisão de estudos científicos, consultas com especialistas de diversas áreas e uma pesquisa que ouviu mais de 1,1 mil atletas. A nova regra passará a valer a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.
Como parte da política, será adotado um teste genético para determinar a elegibilidade das atletas. O exame será realizado uma única vez na carreira esportiva, com coleta de saliva ou sangue, e buscará identificar a presença do gene SRY, localizado no cromossomo Y. Segundo o COI, esse gene está associado ao desenvolvimento de características físicas masculinas ainda no período pré-natal. Atletas que testarem positivo para o gene não poderão competir na categoria feminina.
A presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a decisão se baseia em evidências científicas que indicam que o cromossomo masculino pode conferir vantagens em esportes que envolvem força, potência e resistência. Ela também negou que a medida tenha sido influenciada por decisões políticas externas.
A política do COI foi anunciada em um contexto em que países-sede também discutem regras semelhantes. Nos Estados Unidos, que receberão os Jogos de 2028, o presidente Donald Trump assinou, em 2025, uma ação executiva que proíbe a participação de mulheres trans no esporte feminino.
A decisão repercutiu também no Brasil. A ex-jogadora de vôlei brasileira Ana Paula Henkel e ativista da causa publicou na rede social X: “Depois de anos de atrocidades cometidas contra as mulheres, o esporte feminino volta a ser justo e seguro. A ciência e a realidade venceram! Não há mal que dure para sempre! (…) Basta de homens no esporte feminino”.
O COI informou que a nova política busca padronizar critérios de elegibilidade e garantir condições consideradas equitativas nas competições femininas a partir da próxima edição dos Jogos Olímpicos.

