Oposição apresenta alternativa à PEC do fim da escala 6×1

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou, nesta terça-feira (19), a PEC que propõe o fim da escala 6×1 e afirmou que o Partido Liberal apresentará uma alternativa baseada em jornada por hora trabalhada, com manutenção proporcional dos direitos trabalhistas. A declaração foi dada após reunião da bancada do partido, em Brasília, em meio ao avanço da proposta na Câmara dos Deputados.

Durante a coletiva, Flávio afirmou que o debate estaria sendo conduzido com foco eleitoral e criticou o que chamou de “soluções fáceis” para o mercado de trabalho. Segundo o senador, a proposta em discussão pode gerar aumento do desemprego, alta no custo de vida e prejuízos aos próprios trabalhadores.

O parlamentar também afirmou que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estaria ultrapassada diante das transformações tecnológicas e das novas formas de contratação. Ao defender uma modernização da legislação trabalhista, Flávio citou mudanças provocadas pela internet, pelo home office e pelos aplicativos de transporte e entrega.

A proposta defendida pelo PL prevê contratos baseados em horas trabalhadas, com garantia proporcional de direitos como férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo Flávio Bolsonaro, o modelo permitiria maior flexibilidade para que o trabalhador escolha quanto deseja trabalhar. “Se quiser trabalhar mais, trabalha mais. Se precisar de flexibilidade, também vai estar atendido por essa legislação”, declarou.

Na coletiva, o senador deu destaque especial aos possíveis impactos da proposta para as mulheres. Segundo ele, a flexibilização das jornadas poderia ampliar a participação feminina no mercado de trabalho, sobretudo entre mães que enfrentam dificuldades para conciliar emprego e cuidados com os filhos. Flávio afirmou que muitas mulheres acabam afastadas do mercado em razão da rigidez das atuais regras trabalhistas.

O debate ocorre em um momento de intensificação das discussões sobre a redução da jornada de trabalho no Congresso Nacional. A comissão especial instalada na Câmara analisa propostas que vão desde o fim gradual da escala 6×1 até modelos de redução da carga semanal. O tema ganhou força após pressão de movimentos sindicais e passou a ser tratado pelo governo federal como uma pauta de forte apelo popular.